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Helenice Aravena
por Oscar D´Ambrosio
O universo da cor é um dos mais ricos para quem trabalha com artes plásticas. Não há limites e um criador pode ficar a vida inteira concentrado apenas no estudo de uma cor básica e suas nuances, sem contar as infinitas possibilidades de misturas na palheta. Esse raciocínio pode ser aplicado ao universo pictórico de Nice Araújo Aravena. Sua técnica tem a cor como elemento principal de experimentação e de conquista da atenção do observador.Nascida em São Roque, SP, em 8 de outubro de 1973, Nice iniciou seus passos na arte, ainda adolescente, com desenhos de papéis amassados, em que valorizava as linhas, ou desenhos de observação. Frutas, auto-retratos, mãos e pés foram também motivos dos primeiros trabalhos.
A pintura, desenvolvida em seguida, passou pelo desafio de transpor paisagens para a tela, mas é nas naturezas mortas que ela parece alcançar o seu melhor resultado artístico. Nos anos 1990, ao conhecer o atual esposo Enrique Aravena, desenvolveu ainda mais o seu talento, principalmente na forma de trabalhar com as cores.
O caminho da artista parece ser cada vez mais deixar de lado as formas para se voltar justamente para a pesquisa da cor. Um passo nesse sentido é verificar como o fundo de suas naturezas mortas ganham cada vez maior importância estética. A luz utilizada e a técnica da espátula valorizam a presença de alguns objetos, mas as telas de maior impacto são aquelas em que a diluição das formas contribui para a criação dos jogos com a cor.
Em telas como Prato ou Quadro dentro de um quadro, evidencia-se que a artista usa a cor como principal forma de expressão de sua poética. A concepção visual mais tradicional da primeira e o jogo metalingüístico da segunda são menos importantes do que a afirmação do uso da cor como desafio à necessidade da artista de criar.
Licenciada em Pedagogia, com trabalho de conclusão de curso sobre os elos entre artes visuais e educação, Nice realizou a sua primeira coletiva em 1998 e a primeira individual em 2001. Nesse percurso, a busca por uma melhor composição de formas paulatinamente foi derrotada pela crescente necessidade de encontrar na cor uma resposta estética adequada.
A diluição de referentes concretos pode ser um caminho muito rico para que essa paixão pela cor encontre a sua expressão mais completa. Eles permanecerão prsentes, mas de forma cada vez mais diluída, talvez imperceptível. Como pontos de partida cada vez menos visíveis e mais sutilmente sugeridos.
Frutas, flores, garrafas e copos devem pouco a pouco ser motes de uma pintura que se abastece da própria pintura, ou seja do dilema e desafio artístico de tomar a cor como matéria-prima máxima e primordial de uma jornada técnica em que Nice Aravena faz o seu talento colorístico explodir sem compromisso algum com as formas que serviram de ponto de partida.